quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Martin (Martin, George A. Romero, EUA, 1976): (Um cult-movie vampiresco do Mestre dos Zumbis: Romero e sua versatilidade)


Martin (Martin, George A. Romero, EUA, 1976):
(Um cult-movie vampiresco do Mestre dos Zumbis: Romero e sua versatilidade):
(Por Rafael Vespasiano)



Martin trabalha o jogo claro/escuro, luz/sombra sobre a Existência de um ‘vampiro’, com questões e dilemas existenciais assim como qualquer ser terreno/celestes/infernal, Martin -, a personagem mais dual e ambígua de George A. Romero -, está em conflito consigo em luta existencial  na verdade pela sua humanidade, por encaixar-se socialmente e tentar levar uma vida dentro da ‘normalidade’ social que a mesma sociedade exige de qualquer um de nós, tudo isso enquanto duela angustiantemente contra a sua necessidade esporádica de se alimentar de sangue.
Porém, não se sabe com certeza se Martin é realmente um vampiro. A personagem não possui nenhuma das características ou poderes inerentes às criaturas das trevas. Ele não derrete quando exposto à luz solar, não possui poder de hipnose, capacidade de metamorfosear-se, agilidades e forças sobre-humanas, presas e/ou repulsa a cruzes católicas e alhos. Fica sempre em aberto no filme, o que é genial da parte do cineasta Romero, se Martin é um vampiro mesmo, diferente do famoso arquétipo do sanguessuga, ou sofre de alguma patologia e/ou psicose.
Martin é um jovem querendo se expressar em um mundo caótico. Esse é o cerne do drama existencialista-vampiresco que Romero imprime ao roteiro e a direção do filme. Martin antes de tudo ou qualquer questão de vampiro: ser ou não ser? -, luta contra a timidez e busca a aceitação em um enredo que fala sobre preconceito e intolerância, é o diretor, mais uma vez a tratar nas entrelinhas elípticas e implícitas do enredo, o fim? do suposto modo de vida estadunidense de liberdade e igualdade plenas.
 O cineasta antes de tudo procura refletir sobre a tristeza e a infelicidade generalizada da classe média dos Estados Unidos da América e da Humanidade em geral. Conclui-se que Martin é um filme cult. Causou estranheza em seu lançamento e causa até hoje. Talvez os espectadores de meados dos anos 1970 não percebessem (e os do século XXI também) que aquele ‘vampiro’ e todas as referências morais implícitas no longa, acostumados há anos e anos de vampiros usando capas e transformando-se em morcegos, não está a tratar de ‘vampiros’ apenas, mas de questões existenciais, éticas e da sociedade em geral. Mas não pode se negar que é um dos melhores filmes de um autoral George A. Romero. ”  

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