quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Martin (Martin, George A. Romero, EUA, 1976): (Um cult-movie vampiresco do Mestre dos Zumbis: Romero e sua versatilidade)


Martin (Martin, George A. Romero, EUA, 1976):
(Um cult-movie vampiresco do Mestre dos Zumbis: Romero e sua versatilidade):
(Por Rafael Vespasiano)



Martin trabalha o jogo claro/escuro, luz/sombra sobre a Existência de um ‘vampiro’, com questões e dilemas existenciais assim como qualquer ser terreno/celestes/infernal, Martin -, a personagem mais dual e ambígua de George A. Romero -, está em conflito consigo em luta existencial  na verdade pela sua humanidade, por encaixar-se socialmente e tentar levar uma vida dentro da ‘normalidade’ social que a mesma sociedade exige de qualquer um de nós, tudo isso enquanto duela angustiantemente contra a sua necessidade esporádica de se alimentar de sangue.
Porém, não se sabe com certeza se Martin é realmente um vampiro. A personagem não possui nenhuma das características ou poderes inerentes às criaturas das trevas. Ele não derrete quando exposto à luz solar, não possui poder de hipnose, capacidade de metamorfosear-se, agilidades e forças sobre-humanas, presas e/ou repulsa a cruzes católicas e alhos. Fica sempre em aberto no filme, o que é genial da parte do cineasta Romero, se Martin é um vampiro mesmo, diferente do famoso arquétipo do sanguessuga, ou sofre de alguma patologia e/ou psicose.
Martin é um jovem querendo se expressar em um mundo caótico. Esse é o cerne do drama existencialista-vampiresco que Romero imprime ao roteiro e a direção do filme. Martin antes de tudo ou qualquer questão de vampiro: ser ou não ser? -, luta contra a timidez e busca a aceitação em um enredo que fala sobre preconceito e intolerância, é o diretor, mais uma vez a tratar nas entrelinhas elípticas e implícitas do enredo, o fim? do suposto modo de vida estadunidense de liberdade e igualdade plenas.
 O cineasta antes de tudo procura refletir sobre a tristeza e a infelicidade generalizada da classe média dos Estados Unidos da América e da Humanidade em geral. Conclui-se que Martin é um filme cult. Causou estranheza em seu lançamento e causa até hoje. Talvez os espectadores de meados dos anos 1970 não percebessem (e os do século XXI também) que aquele ‘vampiro’ e todas as referências morais implícitas no longa, acostumados há anos e anos de vampiros usando capas e transformando-se em morcegos, não está a tratar de ‘vampiros’ apenas, mas de questões existenciais, éticas e da sociedade em geral. Mas não pode se negar que é um dos melhores filmes de um autoral George A. Romero. ”  

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ENTREVISTA_COM_AUTOR_Rafael Vespasiano-Litteris Editora


Apresentação do Poeta:

“RAFAEL VESPASIANO FERREIRA DE LIMA nasceu em Maceió, capital alagoana, no dia 9 de janeiro de 1983. Morou na cidade natal até os quinze anos, quando, em 1998, mudou-se para Brasília, onde vive até hoje, contudo sempre retornando à terra natal, pois suas origens são muito importantes para o seu fazer literário.
Formado em Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa e respectivas Literaturas, em 2011, pelo UniCEUB, Centro Universitário de Brasília. Com especialização em Literatura Brasileira lato sensu, pela Universidade Católica de Brasília, UCB, em 2013.
Sua monografia como conclusão da Graduação chama-se: A memória como testemunho na obra Angústia de Graciliano Ramos. Já o Trabalho de Conclusão do Curso de especialização em Literatura, também questionou as questões relativas ao rememorar: Nos longes da noite: memória, infância e poesia em Manuel Bandeira.
Escreve poemas lírico-amorosos desde os 16 (dezesseis) anos, depois passou a escrever versos decadentes e satíricos. Além de ‘poemas-híbridos’ de tom melancólicos, reflexões do mundo pós-moderno, que está perdendo o seu eixo de orientação, pois nada mais é “pensado”, apenas tomam-se atitudes que não resolvem o verdadeiro problema, qual seja: a Humanidade está à deriva existencial, no século XXI, 2017. A questão mnemônica também aparece em muitos de seus poemas e escritos.
Escreve ainda acrósticos, ensaios literários, artigos acadêmicos sobre Literatura, principalmente, a Brasileira. Resenhas sobre livros -, (romances, contos, crônicas, novelas, livros de poemas e de teatro, e, também escreve sobre livros teóricos, dentro do âmbito da Teoria Literária) -, além de críticas sobre filmes dos mais variados estilos e diretores.
Membro da Academia Cruzeirense de Letras, na função de sócio correspondente. Efetivado e eleito em 2017.”

Apresentação da obra:

À deriva no mundo, de Rafael Vespasiano.
Editora: Benfazeja. 1ª edição, 2016. Lançamento na 1ª FLIC- Feira Literária do Cruzeiro, em novembro do mesmo ano.
“A ordem em que os poemas estão distribuídos tem uma funcionalidade e organicidade para o entendimento do livro, mesmo sendo poemas, escritos em dias distintos, eles se completam, a obra, assim ganha começo, meio e fim, mesmo sem ser narrativa. Procurou-se estudar os poetas simbolistas e decadentistas brasileiros, para obter o efeito de organicidade entre os poemas, exemplos são as obras de Eduardo Guimaraens e Maranhão Sobrinho, respectivamente, A divina quimera e Papéis velhos... roídos pela traça do Símbolo! .
Estes poetas ao utilizarem este expediente estavam tendo como referencial teórico e poético, As flores do mal, de Charles Baudelaire. Este escritor propunha que seu livro máximo tinha uma funcionalidade entre os poemas e as partes, tendo que ser impresso naquela ordem e sucessão de páginas e poesias, para se fazer entender o conteúdo ao leitor e para o próprio poeta.
O poeta, humildemente, tentou o mesmo efeito: inicia-se o mesmo com poesias mais amenas e tranquilas, até com humor, ressaltando um certo paraíso e bem-estar da alma do eu-lírico, porém, à medida que os poemas vão se apresentando a tensão cresce para uma ambiência, no mínimo, de pesar e medo, e, certo receio do que pode acontecer na vida (existencial/espiritual) do eu, uma espécie de purgatório se estabelece, até chegar nos poemas mais agônicos e desesperados, de profunda melancolia e mal-estar com tudo e todos à volta do eu-poético, um eu que se ver à deriva no mundo, sozinho, sem sentido e vontade de viver, num verdadeiro inferno existencial, que é o seu FIM! É, uma Divina Comédia às avessas, lógico, mais uma vez uma humilde desconstrução pós-moderna do poeta. ”


Apresentação da Obra:

Des-Tratado das Leis para (não) se cumprirem Neste País Desas-Trado do Não! ou Um texto crítico Qualquer,  de Rafael Vespasiano. Litteris Editora, 1ª Edição, 2017.

“A respeito do gênero literário do ora exposto mais adiante, pode-se até dizer que não é literário, mas apenas “crítico”? (Isto não é Literatura!?). Vamos de crônica (s), de caráter jocoso-jurídico, fictício, porém verossímil, e épico-lírico-dramático-narrativo, cômico, por isso mesmo prosaico-poemático. Quem sabe remeta aos cronicões medievais, que são narrativas de fatos históricos importantes; porém, nossa intenção, se existe uma, é a de (des) construir tudo, inclusive o caráter cronológico deste gênero medievo – o que nos serve mais deste são suas tendências ao heroísmo, que defenestramos na vilania típica dos dias de sempre, e ao tom sobrenatural que marca aquele gênero, revelando os tempos sombrios do cosmos na atualidade apocalíptica, vivida desde sempre.

Nem mesmo falo em prosa lírica – por acaso, este discurso possa ter um tom panfletário e não atemporal, mas datado. Pode-se até atribuir um certo tom ensaístico, acadêmico, sem academicismo, entretanto; agora, o texto é parabólico e profético, pode até ser, quem sabe?! Enfim, pretensamente, nada de útil para o povo desta Nação dos Con-Fins do Cosmos-Caos. ”


Perguntas:


1. Como você iniciou sua carreira de escritor?

2. Geralmente, quem escreve gosta de ler. Qual sua literatura e autor preferido? Eles influenciaram vc literariamente?

3. Fale um pouco sobre seus livros? Quantos já tem editado e sobre o que falam?

4. E sobre o seu último livro, como ele se destaca dos demais?

5. Algum projeto especial para 2018? 









Respostas:

1) Descobri-me escritor aos poucos, talvez com 15 ou 16 anos de idade, em Brasília, no colégio, ao estudar os Poetas na disciplina de Literatura Brasileira.
    Comecei a escrever também ao estilo de cada escritor que estudávamos. Até escrever um poema mais 'autoral', se é possível dizer isso do poema a que me refiro.
    Que por sinal é muito juvenil, lógico. Nesses idos, decidi-me a ser professor de Literatura e trabalhar também como escritor. 
    Publiquei meu primeiro livro em 2016, À deriva no mundo, da qual até arrependo-me, pretendo fazer uma edição revista quem sabe um dia...
    Mas, sempre estou escrevendo poemas desde dos 16 anos, isto é certo!

2) Com certeza, quem ler um pouco que seja, tem o gosto pela escrita, ou ao menos pela re-escrita, de alguma forma. Acho que ao ler qualquer livro de qualquer área do saber é necessário escrever uma resenha de que tipo seja, ou algum tipo de anotação, etc., para consulta posterior, ou futura re-leitura da Obra lida, ou até para estudos complementares que levem a outras leituras do mesmo autor, ou estilo, ou área do saber.
     Minha Literatura ou estilo que gosto muito são os poemas e autores do Romantismo Inglês e Alemão, e, os Simbolistas e decadentes em geral. Mas, autores prediletos mesmo são, para ficar em três: Graciliano Ramos, Marcel Proust e Clarice Lispector.

3)   Já tenho dois livros editados.
       O primeiro: À deriva no mundo, publicado em 2016. Propõe uma  'ordem' lírica na qual os poemas estão distribuídos da forma que estão, pois têm uma funcionalidade e organicidade para o entendimento do livro, mesmo sendo poemas, escritos em dias distintos, eles se completam, a obra, assim ganha começo, meio e fim, mesmo sem ser narrativa. Procurou-se estudar os poetas simbolistas e decadentistas brasileiros, para obter o efeito de organicidade entre os poemas, exemplos são as obras de Eduardo Guimaraens e Maranhão Sobrinho, respectivamente, A divina quimera Papéis velhos... roídos pela traça do Símbolo! . Estes poetas ao utilizarem este expediente estavam tendo como referencial teórico e poético, As flores do mal, de Charles Baudelaire. Este escritor propunha que seu livro máximo tinha uma funcionalidade entre os poemas e as partes, tendo que ser impresso naquela ordem e sucessão de páginas e poesias, para se fazer entender o conteúdo ao leitor e para o próprio poeta. O poeta, humildemente, tentou o mesmo efeito: inicia-se o mesmo com poesias mais amenas e tranquilas, até com humor, ressaltando um certo paraíso e bem-estar da alma do eu-lírico, porém, à medida que os poemas vão se apresentando a tensão cresce para uma ambiência, no mínimo, de pesar e medo, e, certo receio do que pode acontecer na vida (existencial/espiritual) do eu, uma espécie de purgatório se estabelece, até chegar nos poemas mais agônicos e desesperados, de profunda melancolia e mal-estar com tudo e todos à volta do eu-poético, um eu que se ver à deriva no mundo, sozinho, sem sentido e vontade de viver, num verdadeiro inferno existencial, que é o seu FIM! É, uma Divina Comédia às avessas, lógico, mais uma vez uma humilde desconstrução pós-moderna do poeta. 

   O segundo livro está sendo publicado agora pela Litteris, 
   Des-Tratado das Leis para (não) se cumprirem Neste País Desas-Trado do Não! ou Um texto crítico Qualquer. 
   Uma obra híbrida e caótica que se revela ou se esconde até mesmo na escrita propositadamente caótica do livro. Maiúsculas e Minúsculas se confundem, pois não respeitam integralmente às ordens da Gramática Normativa. A falta de pontuação, às vezes, também é reflexo do exposto anteriormente e do caos destrutivo e caótico em que vivemos no Universo desde sempre... 
  A  Miscelânea de gêneros e subgêneros literários, e, a desconstrução pós-moderna e híbrida da Obra só reforça tudo isso, para defenestramos e quem sabe um dia recomeçarmos? O quê? O Universo? A Terra? O Brasil...? Enfim, não precisa recomeçar, estamos em devir neste Cosmos-Caos dos Con-Fins do Mundo a girar...
   

4) Pelo exposto na pergunta anterior, e, também por ter sido escrito de supetão, em apenas três dias, depois foi só a carpintaria do mesmo.
     Diferente do À deriva no mundo que demorou mais tempo para ser escrito, ao menos 10 anos para completar este, e, mesmo assim, o escritor está insatisfeito com sua primeira obra, quase a renegá-lo, mas quem sabe uma 2ª edição revista um dia seja realizada...
     E  diferente do primeiro livro, o Des-tratado (...) é um livro que se aproxima mais dos contos e crônicas, podemos até usar um hífen aí, conto-crônica, pela sua já referida hibridez, além do caráter quiçá profético. Já meu primeiro livro é definidamente só de poemas.

5) A publicação do meu segundo livro (terceiro ao todo) de poemas, que faz parte de uma trilogia poética, junto com À deriva no mundo. 






quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Des-Tratado das Leis para (não) se cumprirem Neste País Desas-Trado do Não! ou Um texto crítico Qualquer, de Rafael Vespasiano. Publicado pela Litteris Editora. 1ª Edição, 2017.


Apresentação do Poeta:

“RAFAEL VESPASIANO FERREIRA DE LIMA nasceu em Maceió, capital alagoana. Morou na cidade natal até os quinze anos, quando, em 1998, mudou-se para Brasília, onde vive até hoje, contudo sempre retornando à terra natal, pois suas origens são muito importantes para o seu fazer literário.
Formado em Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa e respectivas Literaturas, em 2011, pelo UniCEUB, Centro Universitário de Brasília. Com especialização em Literatura Brasileira lato sensu, pela Universidade Católica de Brasília, UCB, em 2013.
Sua monografia como conclusão da Graduação chama-se: A memória como testemunho na obra Angústia de Graciliano Ramos. Já o Trabalho de Conclusão do Curso de especialização em Literatura, também questionou as questões relativas ao rememorar: Nos longes da noite: memória, infância e poesia em Manuel Bandeira.
Escreve poemas lírico-amorosos desde os 16 (dezesseis) anos, depois passou a escrever versos decadentes e satíricos. Além de ‘poemas-híbridos’ de tom melancólicos, reflexões do mundo pós-moderno, que está perdendo o seu eixo de orientação, pois nada mais é “pensado”, apenas tomam-se atitudes que não resolvem o verdadeiro problema, qual seja: a Humanidade está à deriva existencial, no século XXI, 2017. A questão mnemônica também aparece em muitos de seus poemas e escritos.
Escreve ainda acrósticos, ensaios literários, artigos acadêmicos sobre Literatura, principalmente, a Brasileira. Resenhas sobre livros -, (romances, contos, crônicas, novelas, livros de poemas e de teatro, e, também escreve sobre livros teóricos, dentro do âmbito da Teoria Literária) -, além de críticas sobre filmes dos mais variados estilos e diretores.
Possui o blog, www.rafaelvespasiano.blogspot.com.br, no qual publica, principalmente, as críticas cinematográficas, algumas de suas produções poéticas e alguns escritos sobre Literatura.
Membro da Academia Cruzeirense de Letras, na função de sócio correspondente. Efetivado e eleito em 2017.”






Apresentação da Obra:

Des-Tratado das Leis para (não) se cumprirem Neste País Desas-Trado do Não! ou Um texto crítico Qualquer,  de Rafael Vespasiano. Publicado pela Litteris Editora. 1ª Edição, 2017.

“A respeito do gênero literário do ora exposto mais adiante, pode-se até dizer que não é literário, mas apenas “crítico”? (Isto não é Literatura!?). Vamos de crônica (s), de caráter jocoso-jurídico, fictício, porém verossímil, e épico-lírico-dramático-narrativo, cômico, por isso mesmo prosaico-poemático. Quem sabe remeta aos cronicões medievais, que são narrativas de fatos históricos importantes; porém, nossa intenção, se existe uma, é a de (des) construir tudo, inclusive o caráter cronológico deste gênero medievo – o que nos serve mais deste são suas tendências ao heroísmo, que defenestramos na vilania típica dos dias de sempre, e ao tom sobrenatural que marca aquele gênero, revelando os tempos sombrios do cosmos na atualidade apocalíptica, vivida desde sempre.

Nem mesmo falo em prosa lírica – por acaso, este discurso possa ter um tom panfletário e não atemporal, mas datado. Pode-se até atribuir um certo tom ensaístico, acadêmico, sem academicismo, entretanto; agora, o texto é parabólico e profético, pode até ser, quem sabe?! Enfim, pretensamente, nada de útil para o povo desta Nação dos Con-Fins do Cosmos-Caos. ”


Vendas:

com o autor no e-mail: 

rafaelvespasiano@gmail.com

Valor: 18,00 + frete


terça-feira, 28 de novembro de 2017

“UM FILME DE SUPER-HEROÍNA NA ESSÊNCIA”:Mulher Maravilha - 2017 (Patty Jenkins)

“UM FILME DE SUPER-HEROÍNA NA ESSÊNCIA”:

Mulher Maravilha -  2017 (Patty Jenkins):




(Por Rafael Vespasiano).

“As adaptações cinematográficas pós-modernas do Universo sempre foram problemáticas ou ao menos com filmes falhos ou irregulares. Breve histórico: a tetralogia original do Superman, todos os filmes irregulares e o quarto péssimo. Mesmo com os excelentes e/ou carismáticos Gene Hackman e Christopher Reeve. A tetralogia original do Batman tem os dois primeiros filmes dirigidos por Tim Burton como salvação, pois o péssimo diretor Joel Schumacher acabou com a série com os filmes seguintes. Vilões e vilãs e atores e atrizes subaproveitados e que detonou no conjunto a série.
Não falarei de séries animadas que já vinham desde a televisão; alguns telefilmes e séries live-action: Adam West é o Cara! Muito menos falarei das séries dos dois tipos e curtas da netflix e etc., pois estas nenhuma vi.

Mulher Maravilha -  2017 (Patty Jenkins, diretora de Monster – Desejo Assassino, quando o/a cineasta é excelente a expectativa é grande por isso também; apesar, por exemplo das decepções causadas pelos ótimos cineastas Ang Lee, em O Incrível Hulk, e, Kenneth Branagh, com o primeiro Thor, ambos filmes do outro Universo Marvel -, porém aí é outro papo, que disseram até que um diretor o primeiro do cinema tipicamente de arte e o outro é shakespeariano.). Mas, e a Jenkins? Conciliou o cinemão, a qualidade fílmica e de roteiro e o cinema de certa reflexão em alguns âmbitos do texto/filme e contexto social/enredo/Humanidade séculos, já vividos até 2017, e o porvir.
A questão, na verdade, é que estamos diante da melhor adaptação da DC desde Batman - O Cavaleiro das Trevas (trilogia maravilhosa de Nolan), uma produção que surge para dar nova vida ao novo universo da companhia, prejudicado pelo péssimo Batman Vs Superman - A Origem Da Justiça e pelo horrível Esquadrão Suicida.
Mulher-Maravilha é o primeiro filme-solo de uma heroína a ganhar as telas desde o tenebroso Elektra, em 2004. Mas naqueles idos as adaptações de HQs num mundo pré-universos Marvel e DC, não eram tão levadas a sério, em especial no que se revela na ligação e continuidade entre filmes de heróis diferentes e a formação de suas super-eguipes.
E se a Marvel foi mais rápida ao reunir seus principais super-heróis em uma só obra, a DC venceu a corrida para lançar o primeiro filme-solo com uma protagonista feminina, mostrando que a concorrência errou ao não se render aos apelos por um longa da Viúva Negra, por exemplo. Oh, agora Inez é morta, Camões.... Ah, não esqueçamos o desastroso Mulher Gato, com Halle Berry e Sharon Stone, um filme com todo tipo de defeitos e até de machismo evidente.
Mulher Maravilha é uma história de origem, mas que não deixa de apresentar sua ligação com o universo da Liga da Justiça ao trazer breves momentos passados nos dias atuais. A maior parte da trama, no entanto, ocorre no passado. Somos logo apresentados a uma pequenina Diana, princesa das Amazonas, que vive numa ilha isolada do mundo. Ela sonha em treinar para se tornar uma brava amazona, mas é proibida pela mãe (Connie Nielsen), que teme em ver a filha em combate. A jovem, entretanto, busca a ajuda da tia (Robin Wright) para completar seu treinamento.
Treinamento que se mostrará bem-vindo quando, anos mais tarde, um avião cai na costa da ilha e Diana (Gal Gadot) é obrigada a socorrer o piloto, o espião britânico Steve Trevor (Chris Pine). Ela consegue retirá-lo do mar, mas logo descobre que ele era parte de um conflito muito maior, que ameaçava todo mundo, a Primeira Guerra Mundial. Tomada pela missão e pela vontade de proteger a humanidade, Diana decide contrariar a mãe e seguir com Steve para o campo de batalha.
Na verdade, há uma celebração do fantástico, principalmente ao investir numa abordagem menos realista, que envolve diretamente um cenário mitológico. A diretora Patty Jenkins preferiu investir num humor natural e privilegiando cenas com boa iluminação. Fotografia é cinema em essência, devemos sempre observar alguns enquadramentos, que por exemplo em Mulher Maravilha são em sua maioria ‘delicados’ e têm um porquê de ser e aparecerem na tela.
“Falando nas cenas de ação, são vários os confrontos. E todos muito empolgantes, principalmente pela postura central de Diana. Em determinado momento, ela é informada por Steve que nenhum homem conseguiria atravessar tal campo de batalha. Um roteiro mais piegas colocaria ela respondendo: “eu sou uma mulher”. Mas o filme não precisa disso. A postura e atitude da personagem fala por si só. ” (Lucas Salgado).
Sempre que uma película tem como viés uma temática de reprensitividade, Mulher-Maravilha tem o foco no protagonismo feminino, mas não só isso. O filme mantém e abrange brevemente a questão da cor da pele, com um personagem que não consegue seguir seu sonho por causa da cor de sua pele. Também trata de sexualidade de forma inovadora para filmes de super-heróis, mais ainda pela inovação e primazia nessas questões para filmes de super-heroínas.
Patty Jenkins, que já havia se destacado em Monster - Desejo Assassino e na série The Killing, cai como uma luva no mundo dos super-herói. O filme funciona como ação, como fantasia, como aventura e até mesmo como romance. Trata de um amor entre pessoas, mas também de um amor altruísta pela humanidade. É de fundamental importância por desenvolver uma protagonista que é forte e determinada, mas também sensível e capaz de amar.
Sempre ponto de divergência na guerra Marvel x DC, o humor está presente no novo longa. E se revela extremamente importante na construção da personagem e de sua relação com Steve. O humor humaniza Diana, reforçando sua inocência de alguém que viveu isolada do mundo e que, agora, vê prazer em pequenas coisas, como num sorvete.
O roteiro inclusive é tão bom, em especial na questão de jamais usar o nome Mulher-Maravilha. Não há momentos de auto ostentação. Diana fala por si só. Nos últimos anos, Jenkins se destacou mais com séries do que no cinema. Aproveitando o bom momento da TV estadunidense, ela se cercou de profissionais de trabalham em séries em WW, como o diretor de fotografia Matthew Jensen, que é um ponto de destaque deste filmão, com boas cenas em todos os sentidos de abordagem e ângulos das câmeras.
“Muita gente vai diminuir algumas questões do filme e, como dito lá no começo, trata-lo apenas como um filme de super-herói. Mas não se engane! Não é coincidência que o primeiro filme de super-heroína dirigido por uma mulher ser também o primeiro a oferecer uma protagonista que não seja mero símbolo sexual. Há uma clara preocupação na mensagem que está sendo transmitida. E, melhor, tal transmissão é bem-sucedida. ” (Lucas Salgado). ”




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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Último Chá do General Yen (Frank Capra, EUA, 1932):

O Último Chá do General Yen (Frank Capra, EUA, 1932):

Por Rafael Vespasiano.




“Frank Capra fugiu de sua típica filmografia ao realizar este filme muito interessante, O Último Chá do General Yen, em 1932. Esta película tem um quê de perversidade, diferente da maioria dos grandes filmes e mais conhecidos de Capra, reconhecidos por sua grande idealização e otimismo.
O Último Chá do General Yen é necessário e indispensável para qualquer cinéfilo para conhecer e entender o início da carreira cinematográfica de Frank Capra. Yen pouco depois de uma série de outros filmes do começo da carreira ajuda a contextualizá-lo melhor e torná-lo menos um objeto estranho na carreira do diretor.
Capra é um diretor que só pode pertencer aos anos 1930, porém, nunca ficou datado com seus filmes (são raríssimas exceções deste fato), Capra é um cineasta clássico e, portanto, universal por excelência.
Yen é o primeiro das grandes figuras que fascinam o diretor, mas sua concepção permanece mais distante e indecifrável de que nos filmes posteriores, muito pela relação estranha que ele mantém pela ideia do outro. Já que General Yen é uma fábula sobre o desejo missionário no qual o orientalismo é menos usado pelo seu fascínio do que para desenvolver um jogo de dualidades dinâmicas entre o fracasso do missionarismo, pois este é inseparável da constatação de que o estrangeiro não é o general oriental, mas a missionária ocidental.
As sequências menos interessantes de O Último Chá do general Yen podem ser aquelas em que reduzem o filme a um jogo ideológico entre Stanwyck e Nils Ashter (ambos extraordinários, e é uma pena que o incômodo da presença politicamente incorreta do dinamarquês Ashter como um general chinês atrapalhe o reconhecimento do trabalho dele aqui), mas elas permanecem graças a concepção geral do filme.

O Último Chá do General Yen é um romance entre etnias diferentes, previsto nos esforços da mulher branca de negar o seu desejo e na capacidade da imagem cinematográfica de desnudá-lo. General Yen é na sua essência um filme de relativa sensualidade sugestiva, que está no seu melhor quando a câmera (um dos melhores trabalhos de Joseph Walker) isola Ashter e Stanwyck no quadro e torna o desejo deles palpável. Yen é um dos raros filmes nos quais a figura objetivada pela câmera é quase sempre o homem. Enfim, o tom sugerido de brutalidade e da perversidade do filme vem do reconhecimento desta ideia. ” 




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A Sétima Cruz (Fred Zinnemann, EUA, 1944)/ Os Filhos de Hitler (Edward Dmytryk, EUA, 1943):

A Sétima Cruz (Fred Zinnemann, EUA, 1944):



Por Rafael Vespasiano.


“Filme hollywoodiano de nítida propaganda antinazista e por ser dirigido por um excelente cineasta, Fred Zinnemann consegue fazer um razoável trabalho de filme anti-guerra, que, contudo, fica mais como um filme de guerra e suspense preso a um bom enredo e nada mais. Enfim, um filme perdido no tempo, e, infelizmente já bastante datado.
Sinopse: Na Alemanha Nazifascista, sete homens que estavam presos em um campo de concentração conseguem fugi do mesmo, a partir de então começa a perseguição implacável da Gestapo para recuperá-los e enterrá-los em covas já preparadas, onde estão as cruzes esperando o sepultamento sem maiores honras militares e ou religiosas...”




Os Filhos de Hitler (Edward Dmytryk, EUA, 1943):



Por Rafael Vespasiano.


“Chocante e marcante filme denúncia contra a Juventude Hitlerista alienada pelas ilusões do Nazi-fascismo do Terceiro Reich liderado por Adolf Hitler. Mais um filme estadunidense antinazista, porém, o trabalho do cineasta Dmytryk é valoroso e merece o registro de ir muito além de um mero filme propagandista e antibélico, vemos dramas de consciência em um enredo reflexivo e que se propõe analisar mais a fundo a perspectiva ideológica do nazismo, em especial, da Juventude Hitlerista. Por isso tudo, este filme não é tão datado quanto o dirigido por Fred Zinnemann. Merece ser visto com mais afinco e atenção. ”


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ama-me Esta Noite (Rouben Mamoulian, EUA, 1932):

Ama-me Esta Noite (Rouben Mamoulian, EUA, 1932):

Por Rafael Vespasiano.




Ama-me Esta Noite é para muitos críticos de cinema o primeiro grande musical produzido em Hollywood e, se for assim, pode-se dizer que o mérito é, em grande parte, do cineasta Rouben Mamoulian que conduz o enredo açucarado de forma brilhante e faz o filme não cair no tédio em nenhum momento, pelo contrário o filme continua relevante até os dias atuais, por suas inovações técnicas e narrativas; de fato é um clássico hollywoodiano e do cinema em todos os tempos.

A trama é bem simples e previsível, basicamente se resume ao amor vencendo a barreira das classes sociais, contudo o enredo é construído de maneira contagiante, com muita energia e humor que simplesmente não há como não se envolver. Todos os números musicais agradam, com destaques para o começo do filme, em que os sons naturais do dia a dia transformam-se em música e a antológica sequência de “Isn’t it Romantic? “, nesta sequência inesquecível, a canção percorre uma longa distância sendo cantada por várias pessoas, até chegar aos ouvidos da princesa Jeanette, um grande trabalho de Mamoulian na condução da cena em termos de edição, de som e de câmera. Em uma época em que o som no cinema havia acabado de se consolidar, o diretor Rouben Mamoulian demonstrou um grande conhecimento do formato e realizou um trabalho que jamais será esquecido. ”